O deputado federal Kim Kataguiri (União Brasil) teceu duras críticas ao fenômeno político conhecido como Centrão, classificando-o como um dos maiores problemas estruturais da democracia brasileira. A declaração foi feita durante uma entrevista exclusiva concedida à coluna, em um momento em que o parlamentar está de saída do partido União Brasil.
Para Kataguiri, a articulação de forças políticas baseada na barganha por cargos e verbas, sem um alinhamento ideológico claro, representa um enfraquecimento das instituições. O Centrão, historicamente definido como um bloco de partidos fisiológicos, tem sido um fator decisivo na governabilidade de praticamente todos os executivos federais nas últimas décadas, oscilando entre o apoio à situação e a oposição conforme seus interesses são atendidos.
A crítica à barganha política
O deputado, que faz parte da ala liberal do espectro político, argumenta que a dependência do Executivo em relação a essa base clientelista distorce as prioridades nacionais. A negociação constante para garantir a maioria no Congresso Nacional, segundo ele, desvia o foco de reformas estruturais e da implementação de políticas públicas baseadas em mérito.
“O Centrão é, fundamentalmente, um problema sistêmico da nossa democracia”, afirmou Kataguiri. “Quando o motor da política se torna a distribuição de favores em troca de votos em projetos, o cidadão perde. A representação real das pautas populares fica em segundo plano diante dos interesses corporativos e de manutenção de poder desses grupos”, completou o parlamentar.
A menção à sua saída do União Brasil também adiciona um contexto importante à sua fala. O político tem se posicionado cada vez mais crítico em relação aos rumos tomados por certas alas partidárias, que, em sua visão, priorizam o pragmatismo eleitoral em detrimento de uma agenda de reformas mais rígida, como a defesa do liberalismo econômico e a redução da máquina pública.
Impacto no sistema de pesos e contrapesos
A influência do bloco não se restringe apenas às votações no Congresso. A distribuição de ministérios e diretorias de estatais para acomodar membros do Centrão é vista por analistas como um esvaziamento da capacidade técnica do governo, substituindo gestores por indicados políticos. Essa prática fragiliza, segundo críticos, o sistema de pesos e contrapesos, uma vez que o equilíbrio entre os poderes se torna refém de acordos de bastidores.
A definição do que constitui o Centrão é, muitas vezes, fluida, englobando partidos de centro-direita a centro-esquerda que se unem em torno da defesa de seus espaços no poder. O debate sobre a necessidade de uma reforma política que diminua o peso do fisiologismo e aumente a fidelidade partidária e ideológica ganha força com declarações de figuras como Kataguiri. A questão permanece central no debate sobre a maturidade e a eficiência da democracia brasileira.