O deputado federal Amom Mandel desmentiu veementemente os rumores de sua desfiliação do partido Cidadania para se juntar a uma sigla com laços mais estreitos com o Movimento Brasil Livre (MBL), como o Missão. A decisão, segundo o próprio parlamentar, é motivada por divergências ideológicas fundamentais, especialmente no que tange à política econômica voltada para a região Norte do país, com destaque para a manutenção dos incentivos da Zona Franca de Manaus (ZFM).
Mandel, que tem focado grande parte de seu mandato na defesa dos interesses amazonenses, deixou claro que qualquer aliança política que ameace a política de isenções fiscais da ZFM não é negociável. Esta pauta, um pilar central de sua atuação política, é vista como intransponível e incomoda a pauta liberal defendida por setores ligados ao movimento conservador.
Impasse na pauta econômica da ZFM
Em declarações recentes, o deputado reforçou seu compromisso com a base que o elegeu e que espera a proteção do modelo industrial e de desenvolvimento da Zona Franca. A Zona Franca, polo industrial fundamental para a economia do Amazonas, opera sob um regime tributário diferenciado, essencial para atrair e manter indústrias na região.
“As divergências sobre a Zona Franca de Manaus são profundas e inviabilizam qualquer aproximação com grupos cujas propostas econômicas não priorizam nossa realidade regional,” afirmou Mandel, reforçando que a defesa da ZFM não é apenas uma questão de política partidária, mas de sobrevivência econômica para o estado do Amazonas.
Fidelidade ao Cidadania
Diante do cenário de especulações sobre sua migração partidária, Amom Mandel utilizou sua plataforma para reiterar sua permanência no Cidadania. O partido, historicamente, tem tido um espectro mais amplo em relação às políticas regionais, permitindo que Mandel mantenha sua linha de atuação sem se comprometer com plataformas que ele considera radicais ou prejudiciais aos interesses locais.
A movimentação política é observada de perto por analistas, dado o crescimento da representatividade de Mandel no cenário nacional. A manutenção do parlamentar em sua agremiação atual sinaliza uma batalha ideológica dentro do espectro da centro-direita, onde a defesa do desenvolvimento regional se sobrepõe a alinhamentos ideológicos mais puros defendidos por alas mais liberais. A decisão de Amom Mandel consolida a importância da pauta amazônica no debate político brasileiro.